Por que nós, homens, matamos vós, mulheres

6 de março de 2013

Porque nós, homens, amamos vós, mulheres.

Porque nós, amantes, somos perigosos: justamente porque amamos, queremos vossos corpos, vossas almas, vossos pensamentos e vossas vidas.

E porque amamos, matamos.

Porque ainda julgamos, como no velho testamento, que vós sois a costela de Adão, e, pois, sois parte de nós, de nosso patrimônio.1

Porque não sabemos compartilhar-vos com mais ninguém.

E porque, embora infiéis, não suportamos vossa infidelidade.

Porque ainda acreditamos, ou julgamos acreditar, que um amor exclui outros amores, e, pois, somos tiranos no amor.

Porque queremos que vossos filhos sejam nossos.

Porque não aprendemos a lidar com a vossa independência e tudo que isso implica.

Porque vossas decisões são-nos insuportáveis.

Porque não sabemos lidar com perdas.

Suplicamo-vos, pois, que compreendais: não somos maus, cruéis ou monstros. Não! Somos homens!

1O 10° mandamento diz: Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.

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4 Comentários

  1. Matamos e maltratamos nossas mulheres porque simplesmente somos homens e também porque somos egoíta de tal modo que não conseguimos nos entregar para ela!
    LGOB
    Forte abraço querido amigo DR. Paulo

  2. Matamos e maltratamos nossas mulheres porque simplesmente somos homens e também porque somos egoísta a tal modo que não conseguimos nos entregar por ela.
    LGOB
    Forte abraço querido amigo DR. Paulo

  3. Uma excelente forma de reflexão, realmente faz sentido e acredito que é da natureza do ser humano matar, proteger e dominar. E dessa natureza, um toma posse do outro e assim matar se torna algo necessário, seja a morte fisica ou a emocional. E nós homens somos tão imperfeitos que por isso nos tomamos como infieis.

  4. Prezado Paulo Queiroz

    Reconheço que a interpretação que tradicionalmente se faz da Bíblia é uma interpretação que subjuga e coloca as mulheres numa posição subalterna, de completa submissão ao homem.
    Entretanto, outras leituras dessa mesma Bíblia são possíveis e, a partir delas, igualmente possível é uma outra conclusão sobre o significado de seus versos (pois não existem fatos, mas uma interpretação dos fatos, correto?).
    Uma interessante interpretação, por exemplo, feita por uma tradição judaica e comentada por Leonardo Boff é no sentido oposto ao contido em seu texto (a de que, por ter sido extraída de uma costela de Adão, a(s) mulher(es) seria(m) apenas uma parte, uma extensão do homem – um acessório em relação ao principal). Diz essa tradição que, no original, a palavra contida na Bíblia não é “costela”, porém, “lado” (a mulher teria sido criada – ou extraída – do lado do homem).
    Isso porque, caso fosse feita da cabeça ou dos membros superiores do homem, a mulher poderia controla-lo; caso, porém, fosse feita a partir dos membros inferiores do homem, por ele seria subjugada.
    Assim, para que não o dominasse, nem fosse dominada por ele, Deus a teria tirado das “costelas”, ou melhor, da lateral de Adão, colocando-a em um mesmo patamar, num igual plano hierárquico.
    Creio que uma interpretação como essa parece muito implausível, em especial por conta de uma Igreja machista, homofóbica e elitista com a qual convivemos no Brasil. Todavia, apesar de implausível (em face da Igreja), nada a impede de ser mais coerente com o caráter de um Deus que se revelou em Jesus e com o restante do texto bíblico.
    No mais, parabéns por sua obra penal e por todas as suas outras reflexões (das quais, aliás, sou um fã).

    Abraços.

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