Amar, vontade de poder

31 de agosto de 2009

Ela disse: “eu te amo; e não sei viver sem ti”. Ele, maravilhado, retribuiu com o mesmo carinho.

E assim passaram a viver juntos, a comer juntos, a dormir juntos.

E, sem que notassem, ela passou a exigir exclusividade, a imaginar que o mataria se ele ousasse pensar em outra.

Lamentava não poder decifrar seus pensamentos e seu silêncio, e, por isso, interrogava-o sobre seus gestos e olhares.

E de algum modo controlava seus desejos, seus horários, seus gestos, sua libido.

E passou a moldá-lo, a domá-lo, a apropriar-se dele, corpo e espírito . E ele, dela.

Amar, vontade de poder.

 

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10 Comentários

  1. Por que não suportamos a idéia de que o outro (a) pode se interessar por mais alguém e desejá-lo e amá-lo? Por que mentir para nós mesmos que isso é sintoma de má índole ou coisa semelhante?

  2. O amor é um sentimento puro do homem. É o desejo, cumplicidade, admiração e afeto pela outra pessoa. A religião cristã, ou melhor, as religiões em geral trataram logo de colocar suas mãos amcidosas em cima desse sentimento genuinamente humano, regulando-o e moldando-o ao seus preceitos ditatoriais. No mundo ideal dos cristãos o amor é rigidamente regrado. Pessoas do mesmo sexo não podem se amar, não pode haver sexo fora do casamento e não se pode sequer olhar para a mulher do próximo. Felizmente essa não é a realidade. Por baixo do pano da ditadura o amor sempre encontrou sua (quase) livre expressão, seja nos lares comuns, seja no âmbito religioso (a quantidade de padres pevertidos é imensa!), seja nas mais variadas formas proibidíssimas pela igreja. As convenções e alvarás religiosos jamais conseguiram pôr seus grilhões nesse sentimento rebelde que é o amor.

  3. Já há algum tempo penso nessa proposição nietzscheana: o amor é uma cobiça, uma vontade de possuir. Isso em si já é muito discutível e duvidoso, pois nossa história (a história do homem) mostra o quão diversa é manifestação deste sentimento. Algo que considero inaceitável nesta idéia é a imposição de uma natureza ao amor. “E assim passaram a viver juntos, a comer juntos, a dormir juntos / E, sem que notassem, ela passou a exigir exclusividade, a imaginar que o mataria se ele ousasse pensar em outra”. Esse ‘ela passou a exigir…” é uma conclusão muito forçada. O amor não termina aí. E esta é a grande falha deste filósofo. Para concluir, afirmo que desacreditar no amor é um grande erro. Não se entregar por MEDO de ser dominado é um grande erro. E como diria o filósofo, um erro que vai custar caro.

  4. Mas… o que é amor?

    “E, sem que notassem, ela passou a exigir exclusividade, a imaginar que o mataria se ele ousasse pensar em outra.”

    Será que isso é amor, ou outro sentimento – medo do abandono – que, em combinação com o primeiro, gera a vontade de dominação?

    Será que não é uma imposição biológica de seres programados para garantir sua integridade emocional e psicológica?

    O que é amor?

  5. Dificil questionamento. O que é o Amor? Se não é passivel de resposta essa pergunta, como sabemos que o sentimos? Talvez seja esse desejo de dominação combinado com medo? e como explicar as outras pessoas que se encontram em relacionamento totalmente diferente a dominação e se dizem estar amando? Vejo no texto uma possivel tentativa de explicação porém longe de ser uma realidade.

  6. ‘ “… O amor é como um raio
    Galopando em desafio
    Abre fendas, cobre vales
    Revolta as águas dos rios
    Quem tentar seguir seu rastro
    Se perderá no caminho
    Na pureeza de um limão
    Ou na solidão do espinho…”

  7. Só conseguimos descrever o amor à medida que o experimentamos. Comum confundi-lo com atração sexual, sensibilização social, etc.
    Ao fim, talvez a melhor forma de identificá-lo esteja no esvaziamento de nossas concepções limitadas de seres errantes e na contemplação do infinito de Deus.

  8. A liberdade não é contraditória ao amor. A mim sempre pareceu, pelo contrário, sua demonstração maior. Se alguém ama de verdade, quer deixar livre o objeto do seu amor. Isso aprendi ainda criança. Por outro lado, se alguém está livre e amando, o querer é de estar perto e construindo as coisas junto com a pessoa amada. A questão não é estar ao lado, com desejos, horários, gestos e libido controlados, como que por imposição. A questão é querer estar ao lado, harmonizando horários, gestos, desejos e libido. O desejo é esse, o que vem de dentro e que o impulsiona os casais a se amarrarem. Sou uma romântica incorrígel, eu sei. “Mas não interessa, o negócio é amar”…

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