Diálogos surreais (III)

23 de maio de 2013

Pois é, professor, esses promotores estão querendo acabar com a gente, talvez eu seja até excluído da polícia. Acredita que nem podemos mais dar socorro aos marginais feridos?

Como assim?

Nós temos que ligar para o samu, para que preste socorro…

Entendi.

Professor, vou ser sincero: eu não prendo marginal, não; eu mato mesmo! Já levo inclusive uma arma na viatura para fazer o serviço bem feito.

Você não acha que, ao proceder assim, o policial se coloca no mesmo nível dos criminosos?

Nada ver, professor. Bandido é bandido, polícia é polícia. Bandido não tem pena de ninguém não, eles botam para f…

Sei.

O negócio é o seguinte: se eu não matar o marginal, ele me mata, entendeu? Como eu vou levar minha filha à escola com essa bandidagem solta por aí?

(Aproxima-se outro policial)

Professor, vamos mudar um pouco de assunto, o homem que vem aí é autoridade.

(Apresentando-me…) Esse aqui, professor, é um grande nome da corporação. Agora está na atividade burocrática, mas já deu sua parcela de contribuição…

Não sei do que você está falando…

Eu estava falando, aqui para nosso professor, da nossa dificuldade de trabalhar hoje.

Ah, sim, de fato, tudo agora é proibido em nome dos direitos humanos…Hoje não podemos fazer mais nada. Somos processados por qualquer coisinha…E quem perde com isso é a sociedade, que fica nas mãos da vagabundagem.

Era justamente o que eu estava dizendo. Pois é, o senhor acredita, professor, que outro dia prendi um marginal pela manhã, bandido perigoso, e à tarde ele já estava solto e ainda deu tchau para mim? Assim, não dá.

A conversa está interessante, mas preciso voltar à aula.

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